13/03/2016 às 14h39min - Atualizada em 13/03/2016 às 14h39min

Manifestantes pedem a liberação da fosfoetanolamina sintética em Leme

EPTV

Moradores de Leme (SP) foram às ruas na manhã deste sábado (12) em uma passeata pela liberação da fosfoetanolamina sintética, substância conhecida como “pílula do câncer”, desenvolvida por um pesquisador da USP de São Carlos. A manifestação reuniu parentes de pacientes com a doença, moradores que apoiam a causa e uma ONG.
No dia 8 de março, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto que permite a fabricação, distribuição e o uso da substância. O texto segue agora para análise do Senado antes de ir à sanção presidencial.

Eu acho que é a única esperança. Se esse remédio foi feito para curar já era para ter liberado"
Valquíria Nize, irmã de paciente com câncer

Desenvolvida USP para o tratamento de tumor maligno, a substância é alardeada como cura para diferentes tipos de câncer, mas não passou por esses testes em humanos e não tem eficácia comprovada, por isso não é considerada um remédio. Ela não tem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e seus efeitos nos pacientes ainda são desconhecidos.

A "pílula do câncer" foi distribuída durante anos pela USP de São Carlos. Desde novembro, a distribuição está suspensa por decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo. Atualmente, a substância é estudada pelo Instituto do Câncer de São Paulo, que iniciará testes em seres humanos.
 
O grupo caminhou pelas ruas do Centro e passou um abaixo-assinado que será encaminhado para Brasília.

A irmã da funcionária pública Valquíria Nize luta contra um câncer de mama e espera pela liberação para o tratamento. “Eu acho que é a única esperança. Se esse remédio foi feito para curar já era para ter liberado”, disse.

“Eu gosto de participar de toda causa que é pelo bem da população. Eu acho que quando você é solidário você não é solitário”, afirmou a dona de casa Maria da Penha de Alencar Silva.
Wesley Metzner, organizador da passeata, tenta há um ano conseguir a substância para o tratamento da mãe. “Tentei os meios legais, foi concedida a liminar, porém quebrada por um desembargador. Até agora a gente está sem esperança. A motivação maior é chamar atenção, reunir o pessoal e mostrar que não estou sozinho, tem várias pessoas nesse apoio”, disse.
Para o empresário André Cega, que é coordenador de uma ONG que atende quase 60 pacientes com câncer em Leme, iniciativas como essa podem ajudar no processo de aprovação da pílula. “Aguardar o Senado, a presidente sancionar, mas esse movimento, essa união, juntar forças para essa luta e levantar essa bandeira tem que ser única, a nível nacional”, ressaltou.

Como surgiu a pílula

A fosfoetanolamina sintética começou a ser estudada no Instituto de Química da USP em São Carlos, pelo pesquisador Gilberto Chierice, hoje aposentado. Apesar de não ter sido testada cientificamente em seres humanos, as cápsulas foram entregues de graça a pacientes com câncer por mais de 20 anos.

Em junho do ano passado, a USP interrompeu a distribuição e os pacientes começaram a recorrer da decisão na Justiça. Em outubro deste ano, a briga foi parar no Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a produção e distribuição do produto.
Mas, desde novembro, por causa de uma nova decisão judicial, a distribuição da substância está proibida. A polícia chegou a fechar um laboratório em Conchal (SP), que estava produzindo ilegalmente a substância.

Um levantamento do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) diz que 5 mil pessoas no estado estão sem receber a fosfoetanolamina sintética. Segundo o pesquisador que desenvolveu a droga, a substância ajuda a célula cancerosa a ficar mais visível ao sistema imunológico. Com isso, o organismo combate com mais facilidade essas células.

A Anvisa diz que é preciso comprovar a eficácia e a segurança do produto, e que os prazos dos estudos devem ser respeitados. Agora, o Instituto do Câncer de São Paulo vai começar os testes em pacientes. A produção da substância será feita pela Fundação para o Remédio Popular (Furp). O investimento total para os testes deve ser de aproximadamente R$ 2 milhões.

No ínicio, 10 pessoas vão receber a substância. Se nenhum paciente tiver efeitos colaterais graves, o estudo continua. Serão separados 10 grupos de cada tipo de câncer, com 21 pacientes cada. Se pelo menos dois pacientes responderem bem, a pesquisa será ampliada. Progressivamente, a inclusão de novos pacientes continuará até atingir o máximo de 1 mil pessoas.

A estratégia, segundo a equipe, permitirá melhor compreensão da droga. O oncologista e diretor-geral do Icesp, Paulo Hoff, disse que a prioridade é a segurança dos pacientes. Por isso, nesse primeiro momento, a pesquisa vai avaliar se a droga é segura e se há evidência contra o câncer.

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